quinta-feira, setembro 15, 2005

Abortos são eles.

In Público:
PS entrega projecto de resolução para novo referendo sobre o aborto

"O primeiro-ministro e secretário-geral socialista, José Sócrates, considera que este é “o momento para se fazer um novo referendo", sublinhando que esta "é uma questão de honra" para o partido.Alberto Martins recusou-se a apontar uma data para a realização do segundo referendo sobre aborto (o primeiro foi em 1998), alegando tratar-se de "uma competência do Presidente da República", Jorge Sampaio. No entanto, acrescentou que o PS espera que o referendo seja marcado para "um período antes das eleições para a Presidência da República", que estão previstas para Janeiro de 2006.Interrogado sobre a razoabilidade de um referendo entre as eleições autárquicas de 9 de Outubro e as eleições para a Presidência da República, o líder parlamentar do PS procurou desdramatizar a questão, defendendo que "o mesmo acontece em outras democracias no mundo". Para José Sócrates, este "é o momento para se fazer um novo referendo" sobre a despenalização do aborto. "Eu compreendo que a oposição não queira, mas acho que este é o momento para se fazer um novo referendo", declarou aos jornalistas, à entrada para a reunião do grupo parlamentar socialista.O dirigente socialista diz que esta "é uma questão de honra e de convicção para o PS”. “Não é uma matéria de oportunismo político. Não olhámos para o calendário verificando qual seria o momento mais oportuno para o PS", sustentou, defendendo que "há um consenso suficiente na sociedade portuguesa para que as mulheres que fazem uma Interrupção Voluntária da Gravidez não sejam criminalizadas, não sejam levadas a tribunal"."

A institucionalização da hipocrisia.

Se "é uma questão de honra", José Sócrates, Primeiro Ministro eleito democraticamente pelos Portugueses, deverá ser fiel às suas convicções e ter confiança em si próprio, confiança essa que lhe foi dada pelos eleitores ; a honra mede-se no confronto com os compromissos e não estimulando referendos dúbios e de nehum carácter vinculativo; é bom manter o contacto com a vontade do eleitorado, mas as decisões são para ser tomadas, quaisquer que sejam as consequências. Especialmente quando a "honra" está envolvida.

""um período antes das eleições para a Presidência da República", que estão previstas para Janeiro de 2006"
Talvez dê jeito o desviar de atenção para esta situação, retirando importância a outra eleição em Janeiro, cujas sondagens têm sido desfavoráveis ao PS; talvez estejam a tentar captar o eleitorado de esquerda, com uma medida radical, tal como Soares atacou os americanos, numa estratégia à Freitas do Amaral.
Pessoalmente, sugiro a Sócrates que estimule o apoio ao referendo, porque assim capta votos à esquerda, mas sem dizer que é claramente a favor, ou arrisca-se a perder votos à direita. Também sugiro a formulação de um refendo confuso e insatisfatório, fazendo render assim o peixe ao PS e ao Bloco; o PS mantém-se honrado, ainda que tenha proporcionado um referendo estéril e despropositado; o Bloco ganha tempo de antena, uma vez que a pasta do aborto representa um terço do programa eleitoral bloquista. E o Bloco é importante, para oferecer os votos a Mário Soares, lá mais para a frente.

O líder parlamentar do PS procurou desdramatizar a questão, defendendo que "o mesmo acontece em outras democracias no mundo", que é o mesmo que dizer “eles também fazem, porque é que a gente não pode?”; uma estratégia madura e sólida usada por parte dos socialistas, que são antigos adeptos deste tipo de argumentação, já desde… crianças.

um consenso suficiente na sociedade portuguesa para que as mulheres que fazem uma Interrupção Voluntária da Gravidez não sejam criminalizadas, não sejam levadas a tribunal".
Pois, então se existe, porque fazer um referendo? Para aproveitar fundos europeus?

Eu compreendo que a oposição não queira”, e eu aposto que o jornalista não lhe perguntou isto, mas a demagogia já lhe está no sangue... o tipo treinou tanto tempo para ser político, que ser populista já não é uma opção.

Não é uma matéria de oportunismo político. Não olhámos para o calendário verificando qual seria o momento mais oportuno para o PS". Esta é a minha parte favorita, onde Sócrates, usando recursos de estilo, revela as suas verdadeiras intenções: ora experimentem retirar a partícula negativa "não" às duas afirmações do nosso Primeiro.
Brilhante, engenheiro, brilhante. O subconsciente tem maneiras interessantes de se revelar... mas à imprensa, José?


Épa, a política é cansativa mas muito engraçada.Vejam lá a quantidade de piadas que estes gajos disparam, num artigozito de 300 palavras. E depois perguntam-se porque é que existem tantos humoristas em Portugal.

3 comentários:

Anónimo disse...

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amie disse...

nõa desfazendo aqui o comentador anterior, muito cómico também, olha, isto é tudo uma pouca vergonha!I rest my case!

guevara disse...

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