sexta-feira, setembro 23, 2005

Katrina

O texto vai ser mais ou menos este.Com algumas alterações, nomeadamente se o furacão "Rita" atingir os states ou não (gosto da palavra nomeadamente, usada nomeadamente tantas vezes pelos nossos GNR's, pelo menos no meu imaginário de GNR's, nomeadamente).
Não sei se já repararam mas "Rita" e "Katrina" não têm somente em comum o facto de serem furacões, como também o género feminino. Só "el ninõ" escapa. Nota para próprio: propor a mudança de nome de "el ninõ" para "La ninã", por uma questão de coerência.
Bem.
Só não tenho título, porque deambulei um pouquito e não falo só de katrinices.
Quero agradecer ao ppl que mandou links de imagens, NOMEADAMENTE a joana, o noasfalto e o(a)idancealone.
Obrigado mesmo, não contava com uma resposta tão rápida e tão NOMEADAMENTEboa.

Bem, eu sei que não vão ler isto. Eut também não o lia, pq é mt grande para um blog. Portanto eu faço-vos um resumo: é o melhor texto sobre o katrina que vão encontrar por aí.

Té logo
Ernesto, o presunçoso

(Aceitam-se muitos comentários, porque isto ainda é alterável, pelo menos até ao fim da tarde de amanhã. é só um esboço; tentei ser imparcial. juro. mas não consegui;primeiro porque isto é um review, e não preview, e não interessava estar somente a relatear os factos de uma tragédia que aconteceu à um mês; depois, porque ainda não tenho a maturidade suficiente (nem literaria nem pessoal) para ser objectivo e não cair na tentação de criticar, que eu tanto aprecio; não consigo deixar de encontrar culpados, pronto.
ATENTOS, que ainda devem andar mts erros por aí.

Té logo
Ernesto, o humilde)




Katrina


Tragédias sempre fizeram parte integrante do mundo, revestindo-se de formas diversas, quanto à origem, consequência e destino das mesmas; seria no entanto impensável catalogá-las por importância, e o simples raciocínio sequencial da tarefa é inumano. Só o choque é comum a todas elas, colocando-nos em sentido perante a nossa humanidade e revelando a fragilidade da espécie humana, quando comparada com a força da natureza, ou mesmo a frieza da própria espécie.
A História encarrega-se de esfriar os ânimos e de adormecer a dor, mas o choque visual e moral que retemos da observação desses fenómenos propaga-se no tempo, sobre a forma de cogumelos poeirentos no ar, cemitérios recheados, florestas de cinzas, cidades inundadas ou simples números, falsos reveladores da grandeza da morte.

Causas
Os furacões, que têm no “Katrina” o seu representante mais mediático, não são exclusivos da nossa era, nem sequer de regiões demarcadas. A sua existência precede a nossa, enquanto raça, e enquanto seres utilizadores de recursos naturais, sejam eles o petróleo ou a madeira. Para se formar esta tempestade são apenas necessárias temperaturas oceânicas acima dos 80 graus fahrenheit, a sobreposição de uma atmosfera fresca e húmida sobre uma quente e igualmente húmida, e um distúrbio temporal pré-existente. Não é um fenómeno causado pela acção humana, que certamente dispensaria os seus efeitos devastadores. Contudo, quanto mais quente for o núcleo, maior a intensidade da tempestade, acelerando os ventos. Assim, o aquecimento global intensifica e alimenta a força do furacão; a temperatura do oceano é um ingrediente crítico para a formação do “Katrina”, logo o aumento da temperatura potencia a catástrofe. E o aquecimento global, esse, é gerado pelo Homem. E, já se sabe, não há almoços grátis – tudo se paga.
“Qualquer tentativa de acordo que se assemelhe ainda que vagamente ao protocolo de Quioto terá a oposição dos Estados Unidos. Jamais assinarei um acordo que limite as emissões de dióxido de carbono; essa seria uma medida que deixaria a nossa economia de rastos “- George W. Bush.
Ainda que a afirmação seja atribuída ao presidente Norte-Americano, o pensamento global tende para esta mesma máxima; a de que é intravável o progresso pelo petróleo, e de que qualquer energia alternativa ameaçaria um dos maiores casos de sucesso comercial da história humana.
A lógica económica da escassez petrolífera não pode ser contrariada, para que seja mantido o sistema actual; porém, tal opção incorre noutro tipo de custos, sendo “Katrina” a face mais conhecida dessa factura. Não é porém a única: Em Los Angeles, Califórnia, caiu neve no início deste ano; houve seca em Portugal e Espanha; chuvas matam 1000 pessoas em Bombaim, Índia, num só dia; na Escandinávia, ventos de 124 milhas por hora obrigaram ao fecho de centrais nucleares; no Arizona, uma onda de calor elevou as temperaturas para os 110 graus fahrenheit e matou mais de 20 pessoas numa semana. Ao fecho desta edição, o furacão “Rita” ameaça atingir o Texas com a mesma intensidade que o “Katrina” devastou Nova Orleães.
Para que o ambiente estabilize, é necessário reduzir o consumo de petróleo e carvão para 70% dos níveis actuais. Só dessa forma é possível controlar as flutuações ambientais, que resultam no agigantamento de fenómenos que, ainda que naturais e portanto imprevisíveis, são potenciados pelo aquecimento global.
A tragédia poderia ter sido menor se a intervenção das autoridades competentes fosse mais rápida; existe documentação alertando para o risco de Nova Orleães ser atingida por um furacão desde 2002. É sabido que a situação geográfica do estado do Luisiana o torna permeável a este tipo de catástrofes, em especial Nova Orleães, por se encontrar protegida por diques. Ainda assim, a capacidade de resposta do Governo Federal Norte-Americano não foi nem rápida nem eficiente, e o próprio Presidente admitiu a sua responsabilidade nesse falhanço. Tivesse a tragédia ocorrido noutro lugar no mundo, e os efeitos seriam porventura maiores; porém, a prevenção adequada atenuaria os efeitos nefastos do furacão. Ao invés, as falhas de coordenação só contribuíram para ampliar a catástrofe.

Consequências
É difícil contabilizar a importância dos danos da passagem do “Katrina”: se a perda de estruturas e de capacidade competitiva é mensurável, as vidas não o são. Ainda que o número de mortos pretenda estimar o horror da tragédia, esse cálculo subestima sempre a grandeza da morte; não é sequer perceptível a dimensão social da devastação; pilhagem, violação, morte e doença passaram a fazer parte do quotidiano da cidade inundada.
Na cidade de Nova Orleães, 25% da população vivia abaixo da linha da pobreza do país, população essa que não dispunha de viaturas próprias ou de recursos adequados para escapar da área atingida; assim, foram essas as vítimas privilegiadas do furacão. O aspecto racial que sobressaiu nas imagens transmitidas pelos “media” são apenas o reflexo da distribuição étnica da cidade, que contava com 70% de população negra; nenhuma raça em específico foi atingida, pois os furacões não têm a capacidade, exclusivamente humana, de praticar xenofobia.
No Golfo do México e no Estado do Luisiana encontram-se as grandes explorações petrolíferas Estado-Unidenses, e a sua destruição e paralisação conduziu a um aumento drástico do preço do petróleo: em Nova Iorque, o valor do combustível aumentou em cerca de 60%.
O secretário Norte-Americano do Tesouro, John Snow afirmou que a passagem do ciclone, e consequente destruição de partes cruciais da infra-estrutura petrolífera e portuária dos Estados Unidos, constituirá um grande golpe para a economia. O custo dos prejuízos ascenderá a valores superiores a 100 mil milhões de dólares. A importância do petróleo, como energia comum a quase todo o tipo de produção e a globalização encarregar-se-ão de multiplicar estes custos, e de os distribuir pelo mundo fora.
Politicamente, George W. Bush sai com a sua imagem pública prejudicada, e vê a sua liderança questionada, quer pela intervenção tardia aquando da situação de crise, quer pelo aumento drástico do preço da gasolina.

Reflexões
Uma grande catástrofe incentiva sempre à reflexão. Ponderam-se as causas que despoletaram o fenómeno, medem-se as consequências do mesmo e tenta-se (arrisca-se) tirar conclusões; no caso do furacão “Katrina”, as consequências não estão ainda completamente consumadas, e é difícil atribuir culpas a uma só entidade, seja ela natural ou humana.
Ainda assim, é possível observar um nexo de causalidade entre a força da destruição do “Katrina” e o aquecimento global, que advém, por sua vez, da lógica que rege a nossa sociedade; o crescimento económico está acima de todos os conceitos, incluindo o de desenvolvimento sustentável. O capitalismo é, enquanto motor de crescimento, o máximo potenciador da criação e do conhecimento conhecido. Não serve, no entanto, uma lógica de bem-estar, quer social, quer ambiental, quer regional; tem uma natureza própria, de lucro.
Na medição do crescimento económico, utilizam-se medidas como o Produto Nacional Bruto (PNB), que varia de forma positiva com o investimento, o consumo de uma nação e os gastos públicos; ainda que o consumo caia nos Estados Unidos, o investimento público e privado usados na reconstrução do Estado do Luisiana irão contribuir para um aumento do PNB; paradoxalmente, a destruição causará crescimento, de um ponto de vista económico. O crescimento económico é assim medido de uma forma incremental e vazia de outros contributos, sejam eles sociais, ambientais ou regionais.
A lógica económica do crescimento está então correcta, se considerarmos apenas indicadores autistas e vazios de conteúdo; se incluirmos nessa mesma equação, todas as consequências que advêm da exploração da Natureza e do Homem pelo próprio Homem, os resultados poderão ser diferentes; divergentes, até: poderá ser uma questão de contabilizar os custos anuais da destruição causada pelo ambiente que foi potenciada pelo Homem, e incorporá-la em medidas como o PNB, adicionando-lhe uma componente de custo ambiental.
Mas a verdade é que o capitalismo corre a petróleo, e só com o esgotamento da actual dinâmica é que surgirão condições para a mudança do motor catalizador da humanidade. Porém, assumir que o planeta e seus recursos permanecerão os mesmos enquanto não se encontrar nova rota é errado, como nos lembra o “Katrina”, “El Niño”, ou os fogos em Coimbra. A procura de soluções alternativas urge.
Ou então, para dormir tranquilo e sem medo do futuro, o truque é assumir, como John Maynard Keynes, que no longo prazo estaremos todos mortos.

7 comentários:

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hey, obrigado! um bonsai, equipamentode mergulho e um empréstimo! não precisavam, rapazes.

Merda.
Parece que me vou render mesmo à "word verification".
Paciência, amiguinhos.

noasfalto disse...

Tens razão. É extenso.
Portanto, e como supostamente neste momento estou a trabalhar, vou imprimir e ler logo.
Depois comento.
Vale?
abr

Anónimo disse...

Bem, já percebi do que falavas... a rede! É mesmo muito estranho. Estou a começar a ficar com uma ideia diferente da blogosfera!!!

Beijinhos

PS: O resto do comentário vai por mail, mais tarde ;)

Giovani disse...

tens razao. nao vou ler tudo. mas saibas que acredito no teu potencial. ehehhehe... te cuida meu guri! abraços.