quarta-feira, setembro 07, 2005

A ilha


Algures no oceano, a ilha navega. A ilha é pequena, rodeada de água e de uma barreira de coral, que a protege das intempéries e a fornece de enormes quantidades de peixes e cores. A chuva é doce, o mar é morno, o Sol brilha, mas não queima. Os corpos são esculturais, as plantas e as pedras também. Os cocos caem dos céus, já partidos e prontos a sorver.
Ao final da tarde, num bar colonial, o Herbie Hancock toca piano, e os burgueses trocam impressões. Os informados lêem o jornal, os leitores veneram as páginas, os intelectuais disputam pontos de vista. Fecham-se os livros, joga-se à bola, brinca-se com as crianças, conquista-se o sexo oposto com valsas e tango. Os peixes chegam para o jantar, e alguns sabem à melhor das carnes, dependendo apenas da vontade do freguês.
Ao adormecer, depois do café e dos morangos com chantily, depois dos corpos e do amor, nenhum habitante sente desejo. A mais pequena vontade de volúpia, saber, amor ou de vida é totalmente preenchida diariamente. Aquele que dorme, fá-lo de consciência limpa, tranquila, e com uma sensação de plenitude inatingível por qualquer ser humano fora da ilha.


Os meus inimigos têm como destino o inferno.
Mas aquelas pessoas que irritam, aquelas que eu até gostaria que “puff!” deixassem de existir, mando-as para a ilha. Onde podem morar sossegadas, preenchidas, mas longe de mim e do mundo.

Sim, é egocêntrico. Sim, é um pouco nazi. Sim, quem sou eu para fazer essa selecção. Já chega, ou mando-te para a ilha.


Com isto, queria introduzir-vos esta nova rubrica da Cantina do Olho. Periodicamente, mandarei pessoas, sem qualquer tipo de respeito pelas próprias, para a ilha. E sem retorno.

Legitimizo assim aqueles piquenos ódios de estimação por pessoas como a Laurinda Alves ou o Luís Filipe Vieira (completamente infundados porque não os conheço), mandando-os para um paraíso, mas longínquo. Posso então iludir-me, pensando estar a praticar uma boa acção ao livrar-me destas pestes.


Ah. Bom.

4 comentários:

Carlos disse...

Bom, eu juro que conheço a Adega do Olho e não é por medo de ir parar à ilha. Com o Herbie Hancock nem me importava ;)

cbs disse...

:)
É o quese chama um bom negócio.
E fica tudo félix...

PS: até me apeteceu ir prá ilha.

amie disse...

B-R-A-V-O!
fico ansiosa por saber se os alguns dos teus ódiozinhos de estimação também são os meus!:)

guevara disse...

;)